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C'est la vie
A morte de Dionísio
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ou "Uma música para ler, de um noviciado da paixão"
Morro assim, como teu Dionísio
no inverno frio do teu peito
mas só pra reviver ao primeiro vento alísio
na florida primavera que faremos em teu leito
Pois se tu és minha primeira Ariadne
outrora já abandonada por Teseu
que não caia em mim o peso das exigências
de fazer do vosso amor um amor meu
Se a amo é do meu modo
único e tolo como só eu sei
e morro a cada dia porque me podo
ao querer ser, pra sempre, seu único rei
Se me arrancas de teu corpo
a dor é minha e tu sabes ao fazê-lo
Se me indicas, com pouco zelo
que em tua vida sou mais um morto
É porque me estimas
mas tem correto receio
do que haja no vazio meio
entre as almas minhas
E pensas sensatamente
É vão tê-lo.
Mas não será em vão revivê-lo.
Leia escutando Ode descontínua e remota para flauta e oboé - de Ariana para Dionísio.
Para os que curtem mitologia e querem conhecer um pouco mais...
Dioniso, (ou Dionísio) é o deus grego equivalente a Baco, no panteão romano, deus das festas, do vinho e do lazer. Filho de Zeus - que era o filho mais jovem do Titã Cronos e Réia, e o irmão das divindades Possêidon, Hades, Héstia, Deméter e Hera - e de Sêmele, princesa tebana filha de Cadmo e Harmonia. É o unico deus filho de uma mortal. Passou parte de sua gestação na coxa de seu pai, pois sua mãe morreu antes de ele nascer. Zeus entregou Dionísio às ninfas, que cuidaram dele durante a infância. Foi somente após ser purificado por Réia, sua avó, que o deus pode retornar a Grécia para instaurar ali seu culto.
Deus do êxtase e do entusiasmo, levava com seu cortejo alegria e felicidade por toda a Grécia, onde também era considerado protetor das belas artes. O deus da vegetação - especificamente das árvores frutíferas. Ele eventualmente tornou-se o popular deus do vinho e da alegria, e milagres do vinho eram reputadamente representados em certo festivais de teatro em sua homenagem. Dionísio também é caracterizado como uma alegre divindade cujos mistérios inspiraram a adoração ao êxtase e o culto às orgias. De fato, era bom e amável àqueles que o honravam, mas trazia loucura e destruição para aqueles que desprezavam as orgias a ele dedicadas.
Louco, vagueava pelo mundo ensinando aos homens o cultivo da uva e a fabricação do vinho. Seu séquito era composto por diversas figuras míticas dentre elas Sileno, as Bacantes e os Sátiros, que o acompanhavam carregando troncos de videira, coroas de hera, taças cheias de vinho, cachos de uva e o tirso enlaçado com folhagens. As Bacantes (ou Mênades) eram as jovens que, tomadas por loucura mística, pareciam tomadas pelo deus; Sileno vivia embriagado e era dotado de grande sabedoria e do dom da vidência; os Sátiros simbolizavam as forças incontroláveis da natureza vegetal e animal.
Na ilha de Naxos, Dionísio conheceu e se apaixonou por Ariadne que lá havia sido abandonada por Teseu. Fez da jovem sua esposa e com ela teve Enopião, Toante, Estáfilo e Pepareto; de seu romance com Afrodite nasceu Priapo, dotado de um falo descomunal.
De acordo com a tradição, Dionísio morria a cada inverno e renascia na primavera. Para seus seguidores, este renascimento cíclico, acompanhado pela renovação da terra com o reflorescer das plantas e a nova frutificação das árvores, personificavam a promessa da ressurreição do deus
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Comments
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não achei a música...
o link vai pro site do zeca baleiro, mas cadê a música lá? desenha um mapa, que a amiguinha tá devagar...
"Porque te amo
Deverias ao menos te deter
Por um instante"
"E pensas sensatamente
É vão tê-lo.
Mas não será em vão revivê-lo."
é possível amar sem ter, sem deter, sem estar no corpo? eu sempre quero pensar que sim, como quero pensar que é bom amar o amor do jeito que ele é pra cada... mas será que é assim?
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Enquanto faço o verso, tu decerto vives.
Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.
Dirás que sangue é o não teres teu ouro
E o poeta te diz: compra o teu tempo
Contempla o teu viver que corre, escuta
O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.
Enquanto faço o verso, tu que não me lês
Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.
O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:
"Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas".
Irmão do meu momento: quando eu morrer
Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:
MORRE O AMOR DE UM POETA.
E isso é tanto, que o teu ouro não compra,
E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto
Não cabe no meu canto.
(Hilda Hilst)
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