Hoje a minha árvore trocou oxigênio por poesia.
Virou rizoma.
Nos chamaram de revoltados
mas somos revoltosos
Nos chamaram de conspiradores
mas somos revolucionários
Nos chamaram de transformadores
mas somos mutantes
Nos chamaram de rebeldes
mas temos causa, e aliados
Nos chamaram de geração perdida
mas, se nos perdemos, foi pra nos acharmos
Nos chamaram de reformistas
mas somos os desconstrutores
Nos chamaram de destruidores
mas somos trabalhadores
Nos chamaram de egoístas
mas queremos acabar com o ego
Nos chamaram de isolados
mas criamos tecnologias que derrubam fronteiras
Nos chamaram de ilhas
mas construimos pontes, ao invés de paredes
Nos chamaram de presos
mas entemos que a liberdade está dentro de nós (e não na moral que nos é imposta)
Nos chamaram de livres
mas somos muito livres, em espírito
Nos chamaram de levianos
mas o peso de nossos atos está na liberdade que temos ao dançar
Nos chamaram de estorvo
mas somos leves como a poesia
Nos chamaram de vagabundos
mas criamos outras e novas relações com o trabalho, com a vida
Nos chamaram de sonhadores
mas vivemos com a cabeça nas nuvens embora com os pés no chão
Acharam que éramos poucos
mas eles agora se aliaram a nós (ou aprenderam a contar)
Acharam que éramos sujos
mas nossa sujeira pode estar nas vestimentas e não encardida em nossas atitudes
Acharam que éramos tribos
mas nós somos nação
Acharam que éramos primitivos
mas somos contemporâneos e ancestrais
Acharam que éramos a nova vida
mas, num mundo doente, preferimos ser como o vírus
Acharam que éramos a boa morte
mas somos o ressurgimento e a passagem
Nos dividiram em raças
mas nós nos unimos pelas idéias
Nos dividiram em cores
mas nós nos unimos sob o arco-íris
Nos dividiram em classes
mas nós nos unimos sob ideais
Nos dividiram em categorias, instituições, disciplinas
mas nos nos unimos na multiplicidade
Nos dividiram em religiões
mas a nos só interessa o religare
Nos dividiram em prédios, bairros, cidades
mas nos criamos as comunidades
Acharam que éramos o futuro
mas já somos o hoje, o agora
Acharam que éramos o passado
mas somos tão eternos como cada momento
Acharam que éramos o presente
mas somos puro devir, sempre contemporâneos ao nosso tempo.
Acharam que éramos contraditórios
mas somos vastos o bastante para contermos o sim e o não
Acharam que éramos arrogantes
mas apenas vivemos alto e brilhamos inteiros, como a Lua
Nos chamaram de jovens
mas aprendemos a ser humanos, muito humanos, mais que humanos.
Ontem eu fugia da realidade. Hoje parece que a realidade é que fugiu de mim.
- Quer um copo d'água?
Não, obrigado. O que eu quero é muito mais etéreo que isso.
by MBF - 21/04/06