Das grandes atividades humanas que ocorrem hoje no mundo todo, há um lugar especialmente importante e místico para mim. A cidade em ruínas de Tiwanaku, a 70 quilômetros de La Paz, centro da cultura mais longeva dos Andes sul-americanos, irá receber o presidente eleito da Bolívia, o aymara e cocalero Evo Morales.
Já estive, recentemente, nesse mágico local. As ruinas sã o inacreditavelmente místicas, o local tem uma energia estremecedora de qualquer espírito mais cético. E, a despeito de ter pisado nessa cidade num dia bastante calmo, imagino como está sendo essa semana em Tiwanaku, quando são esperadas 50 mil pessoas.
Neste último sábado, 21/01/06, ocorreu a cerimônia andina em Tiahuanacu. Ali, Evo Morales contraiu um compromisso mítico com a Pachamama (a mãe terra) e com o Tata Inti (pai sol), em um ritual organizado pelos povos indígenas dessa região, os aymaras. Quatro autoridades religiosas que representam as quatro regiões do Império dirigiram esse ritual inédito na posse de um presidente boliviano.
Em seguida, Evo Morales foi descalço até uma pirâmide sagrada, onde recebeu o bastão do mando terreno dos povos originários dos Andes bolivianos.
Tiwanaku é a cultura mais antiga da América del Sul, com 27 séculos e meio de duração de 1580 a.C. a 1172 de nossa era. A cidade de Tiwanaku fica a 3.800 metros de altitude e era a capital deste império, que estendeu seus domínios físicos a cerca de 600 mil km². Tiwanaku é também chamada Taipikala.
A civilização tiwanakota declinou, segundo alguns estudos, por uma seca atroz provocada por um fenômeno climático semelhante a El Niño, por volta do século XI depois de Cristo.
Trinta e sete grupos étnicos, com língua e cultura próprias, habitam a Bolívia, país que pela primera vez em sua história será governado por um indígena, Evo Morales.
As principais e mais numerosas etnias são as dos aymaras, quéchuas, guaranis e tupi-guaranis, que desde 1982, quando a democracia foi restaurada na Bolívia, vêm ganhando lenta e progressivamente representação política no Congresso em La Paz.
Vale acompanhar
os relatos que Emir Sader está fazendo no
Boletim Carta Maior. Ele está, dia a dia, vivendo as diversas cerimônias de posse e celebração, ao lado de outros grandes nomes do pensamento mundial, com Boaventura de Souza Santos e Eduardo Galeano.
Como não querer viver um momento como esse? Eu queria!