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C'est la vie
Você é tão...
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E essa sua tatuagem ao lado,
com esse dragão que lhe mantém acordada.
E esse cabelo desgrenhado,
que está sempre lhe deixando tão preocupada.
E seu vestido indiscreto, descombinado,
era pra lhe deixar sexy ou parecer só desleixada?
E de manhã, essa partida inesperada, viciada, injuriada.
E essa sua voz rouca dizendo-me sempre "não, não, não".
Você é tão... tão Amy Winehouse!
E essa sua apatia frenética
misturada a essa rebeldia tardia.
E essa sua atitude patética
e estranha de se manter tão vazia.
E esse silêncio, esse desdém
essa maneira confusa de estar com alguém;
esse modo de manter nas entrelinhas
aquilo tudo que você não tem coragem de dizer
num tom romântico, usando palavras mesquinhas
que você engole para si mesma sem querer me envolver.
E de manhã, essa fuga desesperada, encantada, desvairada.
Um menina tão castigada, coitada...
Você é tão... tão Lisbeth Salander!
By MBF - 19/02/12
Uma singela e despretensiosa homenagem ao poema misógino de Dylan, que volta ao Brasil: "Just Like a Woman"
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| February 21, 2012 | 7:53 PM |
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Sexo, amor
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Quem mistura amor e sexo é feliz;
Quem separa sexo e amor tem prazer.
Quem tem tanto sexo quanto amor sempre pede bis.
E, se não tem nem amor nem sexo, simplesmente não pode viver.
Quem faz sexo com amor é amante;
Quem ama muito o sexo é tarado.
Mas quem só ama, com pouco sexo, deve estar é casado.
Amor sem sexo é devoção (às altas entidades);
Sexo sem amor é satisfação (de simples necessidades).
Um amor muito puro é fé de cristão;
Um sexo muito puro é só masturbação.
Amor com sujeira vira vadiagem
enquanto sexo muito sujo é sempre sacanagem.
Amor solitário é compaixão
Amor a dois é admiração
Amor a três é cumplicidade
Amor pelo mundo é amizade
E não confunda isso com amor pela humanidade
(que suspeito seja uma grande bobagem
porque amor - como sexo - tem que ter imagem).
Sexo solitário é falta de imaginação
Sexo a dois é arroz-com-feijão
Sexo a três é emancipação
(mas pode chamar de "ménage à trois")
E atenção: - Sexo de quatro esquenta qualquer relação!
(porque a quatro já é suruba e dá azar)
Enquanto o sexo é vida
o amor tem na morte seu ponto de separação
Enquanto o sexo é fugaz
o amor mede sua qualidade por seu tempo de duração
Enquanto o sexo é chegada e partida
o amor tem na saudade o ritual de sua celebração
Quando o sexo é pura entrada e saída
é o amor que dá a liga pra permanência da penetração
para uma completa dissolução
para a tão esperada união
que faz do gozo o início da contemplação
No sexo fácil, paga-se para que, ao final, o outro se despeça
enquanto que no amor mais difícil, o que se quer é o que o outro sempre permaneça
(de graça, e em estado de graça!)
O sexo pode ser com a vizinha, com a prima e até com a galinha
Mas por amor corre-se o mundo, faz-se guerra, perde-se a linha
procura-se (coitado!) pela tampa da panela
até que se encontre aquela única alma
aquela figura que acalma
que seja o sol que brilha forte em minha janela
Ainda assim, o sexo parece ser mais raro que o amor
porque do amor nem sempre segue-se o sexo
ao passo que se vê muitas vezes o sexo converter-se em amor
E sabe-se que o amor brota aí, nos cantos mais escondidos
nos peitos mais perdidos
nos corações mais desiludidos
e mesmo dos sentimentos mais fingidos, pervertidos, aborrecidos
ao passo que o sexo é exigente por demais:
demanda vigor físico, saúde mental,
liberdade corporal e até sentimental
O sexo exige potência, entrega e um "algo a mais"
um química, uma alquimia, uma física daquilo que só o atrito faz.
Ao final, castiga com sangue, suor e lágrima
exigindo, no dia seguinte, que se vire a página
para um despertar sem memória,
como se nada houvesse ocorrido na história
porque, enfim, "isso é sexo, amor!".
By MBF - 08/01/12
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| January 8, 2012 | 8:45 AM |
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Série "Fragmentos" - 19
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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Fragmentos de um diálogo que não ocorreu, que foi transformado em versos, e que surge, novamente, como um diálogo - de mim comigo mesmo.
(...)
Nem sempre o que a gente diz diz tanta coisa quanto talvez gostaríamos de dizer.
Várias dessas coisas, às vezes, têm a ver só comigo. Ou só com você.
Algumas delas parecem ser coisas que faço "pelo outro", mas que estão só "dentro de mim".
Isto é, pode ser que seja mais em "benefício próprio" que se faça certas coisas assim.
Mas, se eu pudesse, convidaria você a olhar mais de perto as palavras que você tem a dizer.
Olhando outra vez, o que é que você faz "com o outro" e o que é que você faz "por você"?
Para mim, aproximação tem a ver com o que se faz "com o outro". E pra você, o que afinal é o quê?
Seria bom se pudéssemos fazer o esforço de saber como podemos comunicar, para o outro, "quero me aproximar".
Com isso, me assumo responsável por meus sentimentos, e deixo claras as necessidades que preciso compartilhar.
Seria lindo compreendermos que "quero me aproximar" pode ser bem diferente de "quero que você se aproxime".
E se eu não puder ou souber diferenciar, que mal teria em me dizer: quero que você me ensine?
E, depois, poderíamos estabelecer um acordo sobre o que significam essas ideias pra cada um nós.
Não seria muito bom poder efetivamente fazer coisas pra demonstrar "quero me aproximar" ou "quero ficar a sós"?
Ao contrário, vejo que simplesmente esperamos que a mensagem "quero que você se aproxime" tenha o mesmo efeito e desfaça todos os nós.
E seria muito produtivo poder comunicar isso numa "língua" que também seja a língua do outro sujeito.
Afinal, de quê adianta falar num português claro e perfeito, se o outro realmente não me compreende direito?
Mas isso já é muito, eu sei...
Embora seja o desejo de todos
do plebeu ao poeta, passando pelo rei...
(...)
by MBF - 21/10/11
Crédito da foto: Orlando Pedroso
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| October 21, 2011 | 5:07 PM |
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América Latina
Relacionado ao país: Colômbia
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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Em Santa Marta, 15/09/2011
Com tuas estradas longas
e paisagens largas
Lugares longes
e villas esparsas
Saltam de tuas veias cores e perfumes
distâncias, desafios e descrenças
Serão assim tão diversos teus estrangeiros costumes
quanto são poucas nossas domésticas desavenças?
Por teus povos piedosos
e crianças perdidas
Sujeitos ardilosos
e mulheres feridas
Lanças-me em uma jornada de caos e suor
amores, andanças e alentos
Será assim tão insuperável o que tens de pior
quanto parecem ser irrecuperáveis teus melhores momentos?
Com tuas frutas saborosas
em calles suntuosas
Escuta-se buena salsa
e fazes do samba tua valsa
Escorrem de nossos poros sangre y cerveza
recordações, remorsos e rumores
Será assim tão melodiosa tua tristeza
quanto são sempre tão calientes teus amores?
Para onde vais, se dormes nas ruas?
Para quê ficas, se as riquezas não são mais tuas?
Porque danças, se tampouco há esperanças
de que teu futuro seja limpo, calmo e branco?
Negras são tuas noites e tuas gentes
E agitadas estão as correntes que ainda prendem este povo no chão
Não fossem estes pesos evidentes
desafiarias as gravidades intransigentes
e subirias como as estrelas ascendentes
para explodir, lá no alto, e no fundo do ouvido
Fazendo-te, assim, semelhante ao estrondoso ruído
que se produz em teus mercados tão pouco exigentes.
E contra tamanho barulho, luta qualquer refinado sentido.
Ao mesmo tempo em que teu rítmico ganido frequente
aproxima corpos brutos por teu sonido estridente.
Pois teu batuque negro não passa desapercebido
e nem lhes pode ser indiferente.
Atrais-me cada vez mais, e ainda me repeles a cada investida
De uma aproximação cuidadosa aos desvario passional
me encho de ti.
Afastas-me cada vez menos, e já me encantas a cada acolhida
De um interesse genuíno à exploração acidental
me esvazio de mim.
Como saber o que fui buscar em ti
sem reconhecer o que muito já estava em mim?
Sou feito de teus defeitos, embora queira mudar nossos destinos
Sou o acerto de teus erros, embora trilhemos juntos os mesmos caminhos
Vou em busca de tuas grandes terras
E o que encontro são teus latinos
Volto a travar minhas pequenas guerras
E não encontro nada mais que meus desatinos
Nunca houve um amor à primeira vista como esse
Começado de um grito que dizia "Terra à vista"
E terminado por um grilo que vendia a terra à vista
Quando será que voltaremos a nos encontrar?
Ou estarás sempre aqui, sob meus pés (e, mais, dentro de mim)
na terra em que eu escolher para morar?
by MBF - 03/10/2011
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| October 3, 2011 | 8:55 PM |
Nuevos tiempos
Relacionado ao país: Colômbia
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Llegué de un largo viaje - para afuera de mis tierras y para dentro de mi mismo.
Terminé una largo tiempo de escrita y pensamiento, concluyendo así una búsqueda de hace 4 años.
Cambié de ropas, de sabores, de humores, de amores.
Cambié de edad, de intereses, de personajes.
Experimenté otras frutas, otros vientos, otros paisajes.
Disfruté de otras compañías, de nuevas alegrías, y visité antiguas saudades
Llegué en un punto - en mi vida y dentro de mi mismo
que hay que marcarlo, señalarlo, descubrirlo
Empiezo, así, por la cabeza; por lo cabello
Le quito para intentar mantenerla
O debería, antes, para siempre perderla?
by MBF - 30/09/2011
* Era para ser uma homenagem ao poema de Paulo Leminski "Erra uma vez", mas...
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| September 30, 2011 | 11:20 AM |
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Meu bem, meu mal
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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"Não me leve a mal; Me leve apenas para andar por aí". Leve - Chico Buarque
Me põe no colo, e diz que está tudo bem
Diz que se eu não for, você vem...
Diz que é bobeira, que é pr'eu passar bem
Diz que podemos ir, juntos, muito mais além
Diz pra mim qu'inda é o meu bem
Diz que o que não tenho, você tem
Diz que você me quer, me quer muito bem
Me faz cafuné no meio do trem
Faz aquilo que só você faz bem
Faz devagar; sem vai e vem
Não me deixa, me enfeitiça, e 'tá tudo bem
Entra, atiça, me faz teu refém
Aquilo que eu quero, quem é que tem?
Se o que eu espero não vale nem bem um vintém?
Se você me quer, eu te quero também
Mas só se você me disser que ainda é o meu bem
Se você me deixar, eu vou ficar bem
O problema é outro; é o que você tem
Essa coisa aí dentro, que é de mais ninguém
O que eu te dei e guardei, 'inda tá aí também?
Fala pra mim do mal contra o bem
Fala pra mim que a gente ganha também
Fala pra mim do "mas" e o "porém"
Mas não me diga "porém" quando eu disser: - vem!
Se já tiver ido, e não me sobrar outro alguém
O que vou fazer? Procurar a quem?
Procurar, procurar, e não passar bem?
Ou lembrar de ti, a cada noite que vem?
E quando enfim te reencontre: amém!
Mas já estás com outro cara, um zé-ninguém
Que será que ele faz? Te faz assim tão bem?
Ou será qu'em mim que você pensa, sem "mas" nem "porém"?
by MBF - 03/09/11
Crédito da foto: Orlando Pedroso
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| September 3, 2011 | 12:23 AM |
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Elle veut a téte
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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(ou Por uma ética negativa dos sentidos do humano)
A imagem de um olhar
Sempre me remete ao outro
(não posso olhar meu próprio olhar)
Quando me olho, já sou um outro
Mas para olhar o olhar
Há que existir um outro, completo outro
que me permita olhar o olhar-real (do) humano
não o olhar-imagem (do) objetificado
Quando olho o olhar
Não posso negar-lhe existência
Não posso negar-lhe a beleza desmedida
que o olhar partilha com tudo o que existe
de ser sem propósito nem fim, que não seja o de ser olhado
(quando olho o olhar, me vejo a ti)
Quando olho o que você ouve e vejo sua expressão
não posso negar-lhe a potência de me escutar
Ainda que nem sempre o ouvido esteja aberto
Mas quando olho o olhar
o olho está sempre lá
mesmo fechado, há o olhar
ainda que ele só enxergue dentro de si
Quando olho o que você prova e vejo seu gosto
não posso negar-lhe a sabedoria de escolher
Ainda que nem sempre nosso paladar esteja de acordo
Mas quando olho o olhar
o sentido está sempre lá
mesmo olhando em outra direção, há o olhar
ainda que ele esteja na minha contra-mão
Mesmo dissimulado, há uma intenção
Mesmo enviesado, há um foco de atenção
Ainda que ele não veja o que vejo
Ainda que não possa compreendê-lo
Ainda assim poderei oferecer-lhe o perdão
Quando olho o que você fareja e vejo seus suspiros
não posso negar-lhe a certeza de me perceber
Ainda que nem sempre nos lembremos do cheiro do outro, do cheiro (do) humano
Então, quando olho o olhar
Sei que só ele pode discernir como o olfato
Sei que só ele pode escolher como o paladar
Sei que só ele pode se dispor como a audição
Sei que só ele pode ser sensível como o tato
É por isso que, às vezes,
Para desejar, basta olhar
Embora quase nunca
para o olhar baste o desejo
Nem tampouco
baste olhar para desejar:
A imagem de um olhar sempre me remete ao outro
E o outro é sempre imprevisível
e raramente intocável
(o que é, no entanto, sempre possível).
by MBF - 17/08/11
Crédito da foto: Orlando Pedroso
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| August 17, 2011 | 12:56 PM |
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Melancolia
Relacionado ao país: Argentina
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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Melancolia é também aquela tristeza que me acomete ao me lembrar daquilo que já passou; nem tanto porque haja passado, mas principalmente pelo fato triste de ter ocorrido.
Com aquilo que ocorreu nao se pode fazer muito, a nao ser esquecer de vez, como se nunca houvesse sido possível, ou entao lembrar-se com alguma frequencia - como se nunca houvesse deixado de ser inevitável - para que, a cada vez, a lembrança se erga de um modo distinto, ainda que sempre de feiçoes tristes; para que aquela memória se mostre por ângulos novos, para que me permita ver outras coisas, para que me ensine, como um castigo importante, novas liçoes (ou mesmo velhas liçoes esquecidas), para que, finalmente, toda aquela tristeza se faça compreensível.
Esta compreensao, diante da melancolia, é mais relevante que a possível utilidade e menos exigente que o desejável esquecimento.
by MBF - 26.07.11 - entre BSB e COR
Crédito da foto: Orlando Pedroso
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Era uma vez...
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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Mais uma vez, volto de viagem. Na partida, carrego a inocente esperança de que seja boa e breve. No regresso, a ilusória certeza de pisar o chão conhecido novamente.
Dessa vez, no entanto, não há ninguém lá fora para receber minhas flores. Era um hábito mais meu do que seu, é verdade, de modo que não há porque não continuar com isso. Mas a alegria de receber-lhe com flores era sempre maior tanto mais largo era o sorriso que me recebia. Um sorriso bobo, desconfiado, sempre surpreso, apesar da costumeridade do gesto.
Outra vez, o gesto costumeiro iria ser refeito. Há certos hábitos que não mudamos simplesmente por medo de perdermos nossa identidade, nosso endereço, nosso peso, nosso cheiro. Reconhecer-se, muitas vezes, é só uma parte do amplo gesto, humanamente necessário, de ser reconhecido. Reconhecer é receber do outro o muito que nem ele conhece, e devolver prontamente, com algo que é particularmente seu; como uma dádiva que muda de sentido, mas que nunca perde a energia.
Da última vez, hoje me lembro - e há coisas que a distância faz ver melhor e mais docemente, a flor não estava assim tão vistosa, o sorriso não havia sido assim tão largo, o abraço foi até um tanto mais ligeiro, a chegada possivelmente menos desejada, e a partida talvez mais esperada. Nada parecia haver mudado, é verdade. Mas hoje me lembro. E na lembrança, é bom que se diga, nunca está quem eu era, quem eu costumava ser. A minha lembrança é circundada somente por quem eu sou hoje. E isso modifica enormemente quem eu achava que havia sido. Quem sou me faz ver que eu era uma coisa que já não sabia se tinha sido como fui realmente.
Talvez, seja só a sintonia que traga clareza, e o respeito seja a única coisa que permita a compreensão. Todo o mais era, e continua sendo, só uma vez...
By MBF - 15/06/11
Crédito da imagem: Orlando Pedroso
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Série "Fragmentos" - 18
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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Um Twitterálogo em 140 caracteres (ou menos):
Sobre A Gentileza
(...)
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Série "Fragmentos" - 17
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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Sobre a despedida
(...)
Uma despedida sempre causa transtorno. Não somente pelo sentimento que gera, mas pela alteração que provoca.
Uma despedida é sempre difícil porque é originalmente um contra-fluxo no ritmo natural das coisas, é um contra-senso, é uma insubordinação à continuidade dos desejos.
Uma despedida, como a palavra indica, acontece quando se desfaz o pedido, quando se deixa de pedir o que se havia pedido. Aquela coisa pedida, portanto, torna-se supérflua, desnecessária, indesejada - como, aliás, antes o foi.
Uma despedida, no entanto, nos faz observar o pedido novamente. É como o perdão, que para acontecer precisa da lembrança. A despedida, para se concretizar, precisa rememorar o pedido, precisa retomar o desejo, precisa da certeza de que não mais se quer o que se queria antes.
O problema é que, muitas vezes, o pedido original se transmuta justamente nas razões para não mais se pedir. E aí a despedida é somente um descarte, só mais uma mudança, nada mais que um abandono.
Mais complicado, no entanto, é o caso reflexivo: despedir-se.
Despedir-se envolve o sujeito do pedido, e não somente a coisa pedida. Para despedir-se é necessário deixar de pedir a si mesmo. Despedir-se é perder-se, e ter de se acostumar com um outro "eu".
Despedir-se é traumático, portanto, porque é a negação de quem pede, é a diminuição e o constrangimento do que já se quis. É, no fim das contas, sempre uma acomodação à invariável mudança e ao constante apequenamento do tempo.
Afinal, o tempo não passa. O tempo diminui.
E diminui, geralmente, na mesma proporção em que as despedidas aumentam. Isso, é claro, se tudo correr bem.
(...)
Crédito da foto: Orlando Pedroso
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Série "Fragmentos" - 16
disponível em: (original) | | | | | | | | |
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Sobre convites, clareza e progresso
(...)
No início era tudo tão simples e fácil: saíamos pra jantar quando desse fome, dançávamos quando tínhamos vontade...E não precisava deixar de ser assim: uma vontade, um convite, um aceite, dois movimentos.
Mas, se mesmo quando a vontade persiste, a cota de convites depende de retornos positivos que não chegam, os movimentos começam a rarear.
Encontros não se medem em números, mas a partir da disposição do espírito. E o espírito só se anima, numa relação, a partir da animação do outro.
Mas talvez 3 seja um bom número. São 3 tentativas, são 3 momentos, são 3 desejos diferentes. E quantos movimentos?
(...)
Não gosto de sincericídios.
E não gosto de clareza ofuscante. Prefiro, de início, tatear o chão. Como dizia o poeta: "Em terra alheia há que se pisar no chão devagar".
Andar na corda bamba pode ser mais fácil com os olhos vendados, pra não enxergarmos o precipício, o suicídio que é iminente.
E não tenho problemas em não enxergar certas coisas. Gosto da aventura de ser vendado.
A clareza é coisa boa para a política, para o espaço público. A vida privada deve - como o nome diz - ser privada de algumas luzes que ofuscam e que atrapalham. Vc quer saber muito, mas quer dar muito pouco.
A proporção entre clareza e entrega deve ser preservada, para a balança da sedução não tombar e derrubar os pratos. Não estou pedindo equilíbrio - jamais! - mas proporção e justa-medida.
E toda decisão unilateral muda a proporção do nosso contato. Abre uma brecha para minha curiosidade, desvia meu interesse, ofusca meu desejo.
Quero, aos poucos alargar meus interesses e desejos, e não trocá-los por outros. Não acredito no "progresso" das relações, mas no alargamento dos contatos.
(...)
Crédito da foto: Orlando Pedroso
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| February 28, 2011 | 3:35 PM |
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